Fabiana Baroni Makdissi

Perguntas frequentes

Incidência, diagnósico e auto-exame

Qual o tipo de câncer mais incidente em mulheres?

Os tipos mais incidentes na mulher são: câncer de pele não melanoma, ou seja aquele câncer que aparece pelo abuso do sol... (mais ou menos 55 .000 novos caso ao ano), mas não é um câncer que mata as mulheres, o segundo em incidência, mas que mais mata as mulheres é o câncer de mama (49.000 novos casos) seguido de outros como o câncer de colo de útero, câncer de pulmão e câncer de intestino.

Quais são as orientações básicas a respeito do auto-exame?

O auto-exame deve ser iniciado 1 vez por mês a partir do 20 anos, sempre após pelo menos 1 semana após a menstruação, de pé ou deitada e tem como objetivo que a mulher se conheça. Que saiba como são seus mamilos, qual a textura habitual de suas mamas, e se tem ou não alguma coisa que está anormal.

Qual a importância em diagnosticar rápido?

Quanto mais precoce o diagnostico maiores as chances de cura.

Parecem ser cada vez mais comuns os casos de câncer de mama em mulheres jovens, antes dos 40 anos ou até mesmo antes dos 30 anos. Seria apenas uma impressão, resultado de uma maior eficácia diagnóstica, por exemplo? Ou é mesmo uma tendência verificada em estudos epidemiológicos?

Era muito difícil se observar nos quadros de cirurgias (onde se colocam as inicias da paciente a ser operada e a idade) idade menores que 40 anos, mas atualmente é cada vez mais comum esta informação nos quadros cirúrgicos. Não somente os quadros cirúrgicos, mas os trabalhos também têm observado a mesma ocorrência. Com freqüência estudos tem sido elaborados na tentativa de identificar as causas disso, mas assim como o câncer de mama, talvez a resposta também seja multifatorial.

Os exames estão mais precisos, as pacientes mais informadas e buscando passar nos médicos mais cedo e os hábitos de vida da mulher moderna têm pesado a balança de riscos x prevenção cada vez mais para o lado dos riscos. Início da menarca mais cedo, primeira gestação mais tarde (depois de se formar, namorar, casar, comprar a casa, etc) amamentar pouco ou nem amamentar (não dá tempo, porque se a mulher não voltar a trabalhar logo para o trabalho pode ser ainda mais difícil mostrar para todos que mulher pode ser mãe e profissional ao mesmo tempo...).

Estas coisas vão mudando as prioridades da vida e podem sim serem responsáveis pelo aumento dos números.

Meses atrás, virou notícia o caso de uma menina americana de 10 anos que foi diagnosticada com câncer de mama. Como interpretar isso: caso isolado ou tendência?

Caso isolado, certamente, mas merece que seja mostrado para que os pais se apercebam das modificações nos corpos de seus filhos. Tenho dois filhos pequenos, e mesmo que tomem banho na escola, dou banho em casa de novo para poder observá-los por inteiro.

A mamografia anual já é recomendada para mulheres com 40 anos ou mais. Você acha que dentro de alguns anos essa idade pode ser reduzida para possibilitar o diagnóstico precoce nas mulheres mais jovens também?

Não. Como rastreamento observou-se que a mamografia tem seu papel a partir dos 40 anos, até porque quando realizada em mulheres muito jovens pode ter uma certa dificuldade técnica em ajudar. Mamas jovens são muito densas, aparecem como um borrão branco na imagem e podem não ajudar. Acredito que chegaremos num ponto onde a mudança de hábitos poderá ajudar a ponto de termos uma estabilização destas idades de aparecimento do câncer, pois os fatores de risco mais comuns são ser mulher e envelhecer todos os dias (as mulheres tem 100 vezes mais câncer que os homens e as o câncer pode ocorrer por uma falha na divisão de uma célula que está envelhecendo), mas se pudermos ter somente estes dois fatores de risco como preponderantes, sem que os nosso hábitos fiquem "contra"nós estes números podem se inverter.

Todas as mulheres após receber o diagnóstico de câncer apresentam necessidades semelhantes independentemente da idade, mas aquelas que têm o câncer em idade mais precoce, tem somado ao medo do câncer toda a preocupação com o futuro que acaba de começar. Muitas acabam de se casar, acabam de começar a pensar em ter filhos, acabam de se formar e começar sua profissão e já são pegas de surpresa por uma doença que ainda é vista com sinal de morte. O papel do médico junto a estas mulheres é ainda maior, pois além de tratar o câncer não podemos deixar que elas percam a esperança de toda uma vida que ainda está começando...Este é um dos maiores desafios e tenho particularmente neste momento todo o cuidado em dar a esta jovem mulher todas as opções de cura da doença e da alma que temos à disposição.